Proteção
A
Proteção indica até que grau de penetração o personagem ou objeto está
externamente protegido de ataques. Se existir, aumenta em um grau (mesmo que seja originalmente 0) contra um ataque que acerta "de raspão", ou seja, com uma margem de sucesso de 0 ou ½, pois, ante uma arma ou projétil que penetra em ângulo agudo relativamente à superfície, a espessura efetiva da proteção torna-se bem maior.
Se a capacidade de penetração do ataque é
inferior à proteção, o alvo não recebe dano algum (ou recebe dano muito
reduzido, dependendo do tipo de Proteção). Mas, se não há proteção ou a
penetração do ataque é superior à proteção em dois graus ou mais, o alvo recebe
dano total. A regra geral é a seguinte (ver também Combate e dano):
Portanto,
uma Proteção não é tão eficaz quanto um grau equivalente de Resistência. Se um
personagem com Proteção 3 e Resistência 0 recebe um ataque com grau de
penetração 2, o dano é nulo, assim como também seria nulo se tivesse
Resistência 3. Mas se recebe um ataque com grau de penetração 5, recebe a força
total do ataque (e provavelmente fica fora de combate), ao passo que se tivesse
Resistência 3, o dano potencial do ataque seria reduzido em três graus.
Ainda
assim, uma Proteção, mesmo que inferior à Resistência pode ser útil para
proteger áreas particularmente vulneráveis – ou, no caso de veículos, para
melhorar as chances de sobrevivência de seus ocupantes, cuja Resistência é
geralmente bem menor que a do veículo. Note também que uma Proteção de grau 0 reduz o impacto de
todos os ataques cuja capacidade de penetração for inferior a 2 e funciona como Proteção de grau 1 contra impactos de raspão –
ou seja, Proteção 0 é bem melhor que nenhuma Proteção.
Em
geral, Proteção é proporcionada por uma couraça, blindagem ou outra proteção
externa, enquanto Resistência é proporcionada por solidez estrutural. Proteção
também pode representar simplesmente que um objeto duro, mas não exatamente
blindado (como, por exemplo, uma porta de madeira dura) tem dureza suficiente
para ignorar completamente ataques abaixo de determinado grau de penetração.
Dispensando Proteção
Muitos
sistemas não distinguem Proteção de Resistência, unindo-os sob um mesmo
conceito. Isso resulta numa simulação menos precisa da realidade, mas
simplifica as coisas um bocado. Se quiser fazer o mesmo e dispensar o conceito
de Proteção, converta Proteção em Resistência segundo o seguinte critério:
·
Se a
Proteção for superior à Resistência em mais de um grau, considere a Resistência
final igual à Proteção original, menos 1. Por exemplo: um guerreiro com Resistência
1 e Proteção 4 passa a ter Resistência 3.
·
Se a
Proteção for superior à Resistência em um grau ou igual, considere a
Resistência final igual à Proteção original. Um guerreiro com Resistência 1 e
Proteção 1 ou 2 passa a ter Resistência
2.
·
Se a
Proteção menor que a Resistência, considere a Resistência final igual à
original. Um guerreiro com Resistência 1 e Proteção 0 passa a ter Resistência
1.
Exemplos concretos
Alguns
tipos de Proteção podem ser mais eficientes contra certos tipos de ataques do
que outros. As cotas de malha usadas por cavaleiros medievais, por exemplo,
eram menos eficientes contra lanças e outros ataques perfurantes do que contra
espadas. Em cenários de ficção científica, certas blindagens podem ser mais (ou
menos) eficientes contra raios de energia do que contra balas e outros ataques
cinéticos.
|
Proteção oferecida por alguns tipos de couraça e
armaduras tradicionais:
|
Seres
humanos não têm Proteção inata, embora possam usar vários tipos de roupas
grossas, couraças, armaduras e coletes à prova de balas. Muitos animais, porém,
possuem um couro suficientemente espesso para funcionar como Proteção; o mesmo
pode ocorrer com alienígenas e seres fantásticos. A carroçaria da maioria dos
veículos funciona como Proteção, maior ainda se for blindada. Objetos duros
também têm Proteção.
No
mundo moderno, as proteções pessoais mais comuns são os coletes à prova de
balas e os carros blindados. Os fabricantes dessas proteções costumam
classificá-las segundo as normas técnicas européias ou segundo a classificação
mais pragmática do Instituto de Justiça dos Estados Unidos (NIJ), por nível de
ameaça (threat level).
|
Normas da Europa |
Classificação dos EUA |
Proteção Sistema Ficção (1) |
Observações
|
|
B1 |
Nível I |
4½ |
proteção mínima, usada em tempo integral
por policiais nos EUA |
|
B2 |
Nível IIa |
5 |
usado em tempo integral quando a ameaça é
mais séria |
|
B3 |
Nível II |
5½ |
usado em tempo integral por alguns departamentos de
polícia, mas desconfortável em climas quentes e úmidos; mínimo para carro-forte
no Brasil até 1995 e também a blindagem mais usual em carros particulares,
conhecida como “executiva” |
|
B4 |
Nível IIIa |
6 |
máximo para coletes flexíveis, usado para enfrentar
terroristas |
|
B5 |
Nível IIIa |
6 |
um pouco superior à B4 e rígida, hoje é a
Proteção mínima para carro-forte no Brasil |
|
B6 |
Nível III |
6½ |
usada por peritos em desarmar explosivos |
|
B7 |
Nível IV |
7½ |
blindagem “presidencial”, contra alto grau
de ameaça (fuzis e metralhadoras com balas especiais) |
(1) coletes flexíveis oferecem
apenas Proteção 1 contra ataques de perfuração, como facadas
Uma
carroçaria de um moderno carro de passeio, não blindado, oferece normalmente
Proteção 2½, mas a de caminhão (ou de um carro de
passeio dos anos 30) fica em torno de 3. Um carro de combate dos anos 30 tinha proteção 6 na frente
e 5½ na traseira e nas laterais. Tanques leves às vésperas da II
Guerra Mundial tinham proteção 6½ . Tanques médios e pesados construídos
durante a II Guerra Mundial tinham Proteção 7½ a 9 na dianteira e 6½ a 8 na traseira e nas laterais. Um
tanque pesado moderno pode ter Proteção 13 na dianteira, mas normalmente apenas
8½ na traseira e nas laterais.
Aviões com fuselagem de madeira
(como os da I Guerra Mundial) oferecem Proteção 1; aviões subsônicos com
fuselagem de metal, geralmente Proteção 3; aviões supersônicos (até Mach
3) precisam, no mínimo, de Proteção 4 e
possivelmente até 5; helicópteros de assalto podem ter Proteção 6 ou 7; aviões
hipersônicos, ônibus espaciais e outros veículos para reentrada na atmosfera
precisam de Proteção 8, no mínimo.
O
casco de um típico navio de aço não blindado (como um cargueiro ou navio de
passageiros) tem Proteção 7 ou 8, mas iates e pequenos navios pesqueiros têm
Proteção 5 a 6 e um quebra-gelo moderno pode ter Proteção 9
ou 10. Um couraçado da
II Guerra Mundial tinha proteção 13 ou 13½, um cruzador de
batalha, 12 ou 12½, um cruzador pesado, 10 ou 11, um cruzador leve, 9 ou 10. Galeras e veleiros de madeira costumavam
ter Proteção 3 a 5, mas algumas fragatas e navios de linha no final do século
XVIII e início do XIX já tinham cascos blindados, elevando sua Proteção a 6 ou
7.
Na II Guerra Mundial, pequenos
submarinos costeiros tinham Proteção 7½
e os submarinos oceânicos que acompanhavam as frotas, Proteção 8½
ou 9; submarinos não nucleares modernos
(como os operados pela marinha brasileira), 9 ou 9½; submarinos nucleares, 9½ a
10. A Proteção mínima necessária depende do tamanho do submarino e da
profundidade de operação. A tabela abaixo dá uma idéia:
Proteção
mínima necessária para submarinos
|
Profundidade |
Tamanho do submarino: |
||||||||
|
(m) |
de bolso (30 t) |
muito pequeno (100 t) |
pequeno (300 t) |
médio (1.000 t) |
grande (3.000 t) |
muito grande (10.000 t) |
enorme (30.000 t) |
gigante (100.000 t) |
imenso (300.000 t) |
|
10 |
5½ |
6 |
6½ |
7 |
7½ |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
|
30 |
6 |
6½ |
7 |
7½ |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
|
50 |
6½ |
7 |
7½ |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
|
100 |
7 |
7½ |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
|
300 |
7½ |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
|
500 |
8 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
|
1.000 |
8½ |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
12½ |
|
2.000 |
9 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
12½ |
13 |
|
3.000 |
9½ |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
12½ |
13 |
13½ |
|
5.000 |
10 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
12½ |
13 |
13½ |
14 |
|
10.000 |
10½ |
11 |
11½ |
12 |
12½ |
13 |
13½ |
14 |
14½ |
Obs:. Submarinos
de pesquisa e de defesa costeira costumam ser pequenos, ou menores ainda. A maioria dos submarinos militares convencionais
de alto mar são médios, como também o Nautilus de Júlio Verne, mas
alguns chegam a ser grandes. Os submarinos nucleares de ataque costumam ser
grandes e aqueles que lançam mísseis estratégico, muito grandes. Os maiores
deles, os submarinos russos da classe Typhoon, podem ser classificados
como enormes. Obras de ficção e alguns projetos futuristas descrevem submarinos
gigantes e imensos.
Resistência
da Proteção
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Proteção e Resistência de escudos
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